Infância

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domingo, 6 de janeiro de 2008

História de Humor


Incentivado pela sogra - e não me venham com piadinhas preconceituosas – recepcionei o ano de 2008 na Barra Grande. Havia poucas pessoas. Além da minha família, algumas outras famílias desejosas de um pouquinho de tranquilidade. Congestionamento (para quê?). Empurra-empurra (por quê?). Estacionar a quilômetros do evento (nem pensar!).

E pensar que a música mais estrondosa veio dos tambores tímidos de um Reisado que insiste em sobreviver. Não estou falando de AXÉ-REISADO, MC-REISADO, REISADO-POWER. Não! Não! Não! Nadinha de mega-produção. Muito menos tecnologia de última geração. Deparamo-nos apenas com uma geração incentivada por gente humilde cuja maior riqueza é a tradição. O que importa se as rimas são pobres? Substantivos rimando com substantivos arrancaram a faca, a foice, a facão lágrimas até então reprimidas.

Um pouquinho antes da ceia, reunimo-nos para a meditação. Todos sabíamos que um famoso humorista piauiense coordenaria a reflexão. Tamanha foi a surpresa quando o homem – eu não o conhecia pessoalmente, apesar de já ter assistido a muitos de seus espetáculos –, vestido de preto, aparentando cansaço e uma velhice bem mais velha (quarenta anos que nada!), conduziu a palavra, falando de esperança e de fé, quando o que menos se percebia em sua postura e em seu olhar era justamente fé e esperança.

A maravilhosa sina do palhaço. Sabedoria popular. Casa de ferreiro, espeto de pau. Enquanto todos ouviam, ele, sozinho no picadeiro, encontrava forças para não chorar. Mesmo sufocado pela angústia, discursava sobre a paz e sobre o amor, para que nos sentíssemos confortáveis. E eu questionando-me naquele instante: por que esse sorumbático João, tão grande e importante para a cultura de nosso estado, não consegue libertar-se da tristeza e da dor?

Ao final fui cumprimentá-lo. Desejei dizer-lhe muitas coisas. Exigir uma história engraçada qualquer. Apresentar-me. Pedir um autógrafo. Sei lá. Não sei. Apenas abracei-o e resmunguei sabe-se lá o quê.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Guilhotinas, Pelouros e Castelos


Às vésperas do vestibular da Universidade Estadual do Piauí, continuo sem entender o porquê da seleção, enquanto leitura obrigatória, de algumas obras literárias.

Sendo o processo de seleção estressante, cruel, discriminatório e intolerante - tadinho do pré-vestibulando que cometer um erro sequer! -, considero uma falta de sensibilidade sobrenatural a indicação de autores como Álvares de Azevedo e Mário de Sá-Carneiro. Não pretendo desmerecer ou mesmo questionar a capacidade artística dos respectivos escritores. Seria loucura, irresponsabilidade desmedida, não reconhecer a força inocente do melhor representante da segunda geração da poesia romântica brasileira. Seria também estupidez menosprezar a técnica e a versatilidade do poeta português.

A questão é: Manuel Antonio Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos de idade. De tão egocêntrico e pessimista, deixou de lado as drogas, a vida boêmia e as doenças sexualmente transmissíveis para entregar-se à morte, noiva apaixonada e fiel que finalmente o libertaria do tédio.

A questão é: Mário de Sá-Carneiro, aos 26 anos, inadequado e disperso cometera suicídio. Estricnina e champanhe bastaram para que pudesse finalmente mergulhar no sonho e no delírio.

Esclareçam-me: apresentar a jovens tensos, pressionados pela família e pela sociedade, a possibilidade de uma morte precoce, expor a biografia de artistas deprimidos, exaltando-lhes a genialidade, servirá mesmo para quê?

Os contos de Noite na Taverna são tão sinistros, violentos e debochados. Os poemas do livro Dispersão tão tristes, amargurados e sombrios. Nossos alunos tão preocupados em corresponder às expectativas. Papais e mamães tão ansiosos em realizar os próprios desejos. Escolas e professores tão preocupados em estampar pelas ruas do planeta a inteligência e a felicidade do adolescente aprovado em todos os concursos, quando na verdade são tão poucos os aprovados porque não há vagas suficientes.

O que há, insisto, é uma despreocupação com a auto-estima de meninos e meninas. E se eu fracassar? Questiona o aluno de famosa escola particular de Teresina. Tornar-me-ei bandido, necrófilo, canibal? Fugirei da realidade, reduzindo a vida a uma seqüência de surtos que me levarão ao suicídio?

E se (?).

sábado, 27 de outubro de 2007

De repente Jeosá


Jeosá nada mais é do que um estúpido desejo de não ser. Em seu cantinho, encolhidinho, recolhidinho, deseja apenas encarar o espelho e não mais enxergar os óculos, o cavanhaque, as sobrancelhas espessas, os olhos castanhos, o nariz desmedido, a boca de um lábio só e a tristeza que mais parece uma claridade esquivando-se pelas frestas do rosto fatigado.

Ao assistir a uma palestra espírita sobre depressão, aprendeu que é importante, ao acordar, questionar: estarei vivo ou morto? Como o espírito não reflete, basta procurar o espelho mais próximo, recomendava – divertindo-se – o palestrante. Por isso mesmo há uma espingarda de canos duplos paralelos sobre a cama. O professor prefere não arriscar. Ao explodir a cabeça e lambuzar de massa encefálica o quarto espera mesmo destruir qualquer possibilidade de resistência – e existência.

Há sombras divertindo-se no chão e nas paredes e no guarda-roupa e na escrivaninha. Vozes sussurrando gritos de apoio imoral. Uma vontade de agarrar a espingarda de canos duplos paralelos e apertar o gatilho de uma vez. Mas. Mas. Mas. E se morrer não significar necessariamente desfalecer? E se logo em seguida despertar e ao despertar perceber que ele próprio é luz e que acabara de destruir a redoma que o protegera até então de tudo e de todos?

A incerteza do sono. Reminiscências da infância. Medo do inferno enquanto materialização dos pensamentos mais sinistros. Jeosá aproxima-se da cama. Novecentas e noventa e nove velas murchas – respiração contida –, testemunhas da imprudência do professor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Fantasia


Quisera eu permanecer estático assim como tu és sempre estático. Quisera eu não sofrer porque o gesso não sofre. A tinta não sofre. O olhar pintado em preto e branco nada mais é do que um falso olhar pintado em preto e branco. Quisera eu ter sempre as mãos quietinhas e resignadas. E as pernas entrelaçadas feito uma borboleta que nunca fora casulo e sequer desejou – um dia – voar.

Quisera. Eu. Não ser. Modelo psicanalítico de todas as pulsões. Quisera. Alienado. Desejar apenas o que está ao alcance das mãos estáticas. Dos desejos estáticos. Das pernas – borboletas verdes – também estáticas. Quisera eu não delirar. Não questionar. O que é o delírio? Fantasia que já não se concebe com tal. Neurose? Psicose? Deus sabe. A ciência sabe. Freud – limitado e preconceituoso – jamais será capaz de explicar. Ai, mitos, a arrogância apenas delimita e generaliza e enquadra.

E ninguém sabe de nada. Ninguém representado aqui enquanto alegoria. Ciência. Religião. Capitalismo. Visão maniqueísta e ultrapassada. Época em que o homem era bom. Época em que o homem era mau. E o bem e o mal - expressão antitética – jamais paradoxal – do homem inferior – porém egocêntrico – e universal.

Gutural. E rouco. E louco. E pouco atento àquilo, concepção conceitual, que se convencionou chamar de felicidade. Porque a felicidade nada mais é do que a fantasia de todos os homens. Nós. E enquanto fantasia jamais, materializada no real, será possível de nos fazer sentir realmente felizes. Felizes? Como se a experiência há tanto séculos já não proclamasse: insatisfação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ânsia


De quando se faz necessário álcool. De quando se faz necessário sofrer. De quando se faz necessário insônia. De quando quando se faz necessário tudo enquanto. De quando tudo enquanto vem à cabeça. De quando enquanto se pensa em tudo enquanto nada se revela tanto. De quando portanto tudo entanto enquanto álcool nada. De quando se faz necessário em algo e em tudo. Vazio.
De quando se faz necessário enxergar. De quando se faz necessário gritar. De quando ao enxergar e gritar se faz necessário calar. De quando ao calar e gritar se faz necessário enxergar o grito e o silêncio e o que há enquanto dor. De quando se faz necessário dor porque há dor. Ardor. Vazio.
De quando se faz necessário correr. De quando se faz necessário morrer. De quando se faz necessário conter o utópico desejo de morrer e viver. De quando se faz necessário ser e não ser. De quando se faz necessário ter tudo aquilo enquanto tudo aquilo que nunca se quis. De quando se faz necessário no entanto em tantos sonhos despertar. Vazio.
De quando se faz necessário partir. De quando se faz necessário sorrir. De quando se faz necessário sentir e sorrir e partir. De quando se faz necessário no entanto enquanto tantos sorrisos e lágrimas e quantos desejos e bocejos insones. Sentir. De quando se faz necessário cair na real. De quando se faz necessário tudo enquanto portanto. Vazio.
De quando se faz necessário o grito. De quando se faz necessário o silêncio. De quando se faz necessário a dor. De quando se faz necessário a morte. De quanto se faz necessário a vida. De quando nada se faz necessário. De quando tudo se faz necessário. De quando nada enquanto tudo. Vazio.



quarta-feira, 25 de julho de 2007

Vampiro às Avessas


Estavam todos ali. Sequer perceberam a ausência de Ariosvaldo. Nem mesmo um comentário distraído (indevido) a respeito do único filho dos donos da casa. Curiosamente, os donos da casa, excelentes anfitriões, não se preocuparam em explicar (lamentar) o paradeiro do adolescente.

E Ariosvaldo, em seu desespero, tentando, a qualquer custo, revelar-se. Gritava. Esperneava. Agredia o vidro, já sujo do sangue das mãos e dos pés e da cabeça. Em vão. O som não era capaz de fatigar o vácuo que havia entre ele e o mundo. E as manchas e as cicatrizes deixadas no espelho não eram visíveis do lado de lá.

Ariosvaldo não era mais gente. Ariosvaldo era reflexo. Da mesma forma que não enxergava o reflexo daquela gente, aquela gente já não o enxergava enquanto gente. E não sendo gente, não lhe restara sequer a possibilidade de refletir. O improvável reflexo do reflexo.

Se os sentidos não estivessem tão apurados. Se não fosse capaz de absorver cada detalhe do jantar. Se o aniversário de casamento dos pais não surgisse enquanto lembrança familiar demais. Se. Se. Se. Seria mais fácil sujeitar-se à condição maravilhosa e absurda que o sujeitava e oprimia.

Subitamente. Explosão. Estilhaços. Apenas fragmentos do caríssimo ornamento de vidro que ocupava uma parede inteira da sala. Perplexos, os convidados abandonaram a casa. Sentadinhos, os pais de Ariosvaldo. Contemplando a efemeridade das coisas que amamos.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dois Enterros


O velório acontecia no Cemitério da Fraternidade. Apenas três pessoas encaravam o caixão. Como o frei Barbosa, amigo íntimo da família, recusara-se a comparecer ao singular evento, a esposa, o filho da esposa e Antonio João eram os únicos ali.

Malditas bactérias anaeróbias. O empresário resmungava a cada minuto. O que pretendiam? Devorá-lo por inteiro? Imaginariam que, acomodado, não as enfrentaria? E seu dinheiro, não serviria sequer para pagar o algoz que lhe deceparia a perna?

Antonio João sentia-se como um soldado recém chegado do campo de batalha. Conseguira sobreviver, mas a que custo? Passar o resto da vida numa cadeira de rodas não fazia parte do plano. Muito menos assistir àquele estúpido ritual funerário.

A esposa e o filho da esposa organizaram tudinho. A perna de Antonio João não seria atirada aos porcos. Nadinha, nadinha de economizar. Embalsamar. Velar. Sepultar. Conforme o amor e a intensidade do amor que sentiam pelo homem que, embora orgulhoso e arrogante, sempre cuidara bem da família. Embalsamar. Velar. Sepultar. Conforme a estranha necessidade de não perder o controle da situação.

Antonio João, percebendo que não convenceria a esposa e o filho da esposa a recuarem diante do absurdo do absurdo espetáculo que promoviam, impôs uma condição: o ataúde, pequenino, permaneceria fechado o tempo inteiro. Não suportaria o vexame da situação. Só não compreendia o que era de fato mais humilhante, se ter a perna enterrada sem o corpo, se ter, no futuro, o corpo enterrado sem a perna.

terça-feira, 5 de junho de 2007

O Louco



O Louco entrou sem pedir licença. Em sua loucura não precisava mesmo pedir. Estranho seria se mantivesse todas as formalidades de outrora. A educação e o estranho hábito de tratar os outros respeitosamente em nada se adequavam aos recentes delírios que o expulsaram de casa e do emprego e dos amigos.

O Louco não percebeu o espanto daquela gente. E se percebesse não compreenderia. Estariam assustados por que ele estava ali ou por que já não o reconheciam ou por que a sua aparência feito espelho anunciava o quão decadente e mesquinha é a humanidade?

O Louco encarou todos eles. Agrediu os homens. Mandou para o inferno as mulheres. Cantou. Dançou. Praguejou. Tentou inutilmente abraçar as crianças e os cachorros. Cuspiu nas taças. Vomitou na porcelana. Aquietou-se. Dormiu.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Do Ensino Religioso na Sala de Aula


O que dizer do Ensino Religioso em pleno século XXI? Como me posicionar a respeito se a respeito do assunto já há tantos posicionamentos e desdobramentos e confusões? Que linha de pensamento desenvolver se nas escolas, ainda em sua grande maioria católicas, encontramos as mais variadas crenças e religiões?

O que precisa ser esclarecido: O professor não está ali para catequizar. Não cabe a ele dogmatizar. É papel do professor de Ensino Religioso, independente de suas convicções, questionar, problematizar. E nunca fazer da aula um discurso ideológico em prol de uma religião ou outra.

E não é fácil para o professor. Muito menos para o aluno. Vestimos tamanha couraça costurada de verdades, que nos surpreendemos, freqüentemente, promovendo empolgadas palestras de conscientização, para não dizer imposição de nossas próprias fantasias.

Recentemente, ao conversar com o professor Marcelo, percebi, o quão difícil e maravilhoso é o seu trabalho. Primeiro: nenhum aluno ficará reprovado em Ensino Religioso. Ou seja, vai ter criatividade assim no “inverno” para despertar interesse na criança e no adolescente, já que não paira sobre os mesmos o fantasma das notas baixas. Segundo: Os temas debatidos são tão atuais e polêmicos, a descoberta da sexualidade, para citar apenas um exemplo, que muitas vezes a própria família surge enquanto obstáculo, no sentido de não querer permitir, são as palavras de alguns pais, “que certas conversas cheguem aos ouvidos dos filhos”.

Como se o mundo não estivesse aí para ensinar... como se não fosse papel da escola e dos educadores e da família orientar... como se precisássemos, mais uma vez, fechar os olhos, quando se faz necessário enfrentar.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Desmitificação



Porque é preciso chorar. Ai do homem que não consegue chorar. Ai. Ai. Ai. Chorar. Falemos sério. Aquele aperto no peito já é coisa do passado. O barato são as lágrimas. Deixemos de conversa fiada. Papo besta de panela prestes a explodir. Para que tanta pressão? Opressão danada. Como se fôssemos vampiros. Catando lixo na escuridão. Maldição.

Porque é preciso chorar. Não estou falando de bebês chorões. Chorar. Feito machos. Os machos também choram. Também há lágrimas escorrendo e umedecendo barbas. Bigodes. Cavanhaques. E as mulheres – pasmem! – não nos consideram fracotes ou bobalhões. Sério! Aceitam-nos enquanto humanos.

Porque é preciso chorar. Precisamos piscar com um certo conforto. Lágrimas. Faz-se necessário alimentar a córnea. Lágrimas. Nada de microorganismos invasores. Lágrimas. E por aí vai. Seremos nós – homens - tão idiotas assim? Chorem! Por deus, chorem! Digam que é em prol da visão. Que seja. Mas chorem.

Porque é preciso chorar. Deixemos de ser raposa. Se não alcançamos as uvas é por uma incapacidade qualquer. Se não sou capaz de enfrentar não sou capaz de enfrentar e pronto. Se me envergonho de nem sempre corresponder às expectativas me envergonho de nem sempre corresponder às expectativas e pronto. Mas afirmar que homem não chora ou não deve chorar é uma grande bobagem. É não aderir à revolução.

terça-feira, 10 de abril de 2007

O Primeiro Beijo




Como se o corpo, liderando um motim,

Ousasse, finalmente, enfrentar a alma.

Como se Deus, percebendo que nem

Raios e trovões e poeira

Nos conseguiriam espantar,

Desse o braço a torcer.

domingo, 8 de abril de 2007

Platônico (?)






A TI




Conheço grandes homens
Pequenos homens
Frustrados
Frustrações
São poetas desgraçados
São mulheres idealizadas
E nunca
Nunca
O tão sonhado amor
São versos fantásticos
Belas estrofes
E sempre
Sempre
A mesma dor
Mas conheço-te também
E questiono-me angustiado
Serei poeta?
Grande (?)
Pequeno (?)
Serei frustrado também?
Teus olhos
Uma ilusão
Teu rosto
A tranqüilidade
Teu corpo
A satisfação
Não tocá-la
Minhas mãos
Não sentí-la
Meus lábios
Não possuí-la
Meu coração
De que vale tanta poesia?
Sofro (sonho) tanto por ti!
Palavras?
Insignificantes.
Dizer não é justo lutar por ti
É tão blasfemo – encarar Deus
E duvidar do seu poder!
Dizer tentarei esquecer
É tão mesquinho – fechar os olhos
Quando é preciso encarar!
Ilusão
Tranquilidade
Satisfação
(Há contristação no ocaso)
Ilusão – olhos tão claros (caros)
Tranquilidade – ao teu lado
Satisfação – mulher ideal
Tocar e não tocar
Sentir e não sentir
Possuir e não possuir
Até quando?
Frustração (?).

quarta-feira, 28 de março de 2007

terça-feira, 27 de março de 2007

domingo, 25 de março de 2007

Ébrio



Novamente a loucura

O ciúme que angustia

O medo de perder

Ou ter perdido

E despertar (do sonho)

E descobrir (o pesadelo)

De ela não ser

Ou ser (o castigo)

O que não redime

Pune

O que não ama

Aterroriza

O que não satisfaz

Destrói

De ela não ser

Ou ser (o anjo)

O que mitiga

Enobrece

O que encanta

Afama

O que purifica

Incendeia.