Infância
quinta-feira, 18 de junho de 2020
O poeta carece de espadas e novelos de lã
O coração taquicárdico
- Espasmódico -
Guincha de dor
- Dor camoniana -
De quando o azul
Rasga a ave atrevida
- Oh, filho de Dédalo -
De quando o labirinto
- Perdido em si mesmo -
Acolhe a própria abominação.
domingo, 26 de abril de 2020
Presságio
Já não sei como extirpar
Pensamentos perversos
Esboços de loucura
A taquicardia sem fim.
Submeto-me a paliativos
Conselhos inúteis
Ideias descabidas
Apneia sem fim.
Já não suporto a insônia
Carente de pesadelos
Enfartado de pensamentos
Abatimento sem fim.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Disforia
Cotidiariamente
Irremediavelmente
Gemidos
lamentam
O
enclausuramento imposto
Posto
que a rotina insuportável
Alimenta
o contraditório apego
À
insuportável rotina de outrora.
sábado, 23 de novembro de 2019
The wall
supostos super-homens
trepando
e
saltando
de muro em muro
entre um murro
e
outro murro
outro murro
sempre a mesma expectação.
Mal sabem eles que para cada barrigada
milhares de novas barricadas
despontam
e
desapontam
aqueles mesmos ignorantes
esganados
e
enganados
pela própria presunção.
sábado, 16 de novembro de 2019
domingo, 20 de outubro de 2019
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Epifania
Há um sopro tísico
Em meu peito
Típico dos corações
Desabrolhados há tempos
Cujas pétalas cansadas
Não se cansam de cair.
domingo, 3 de junho de 2018
Pequeníssima crônica da mediocridade
Felipe era mesmo um colecionador de pessoas. Cotidianamente alguma
gente lhe despertava uma curiosidade quase vício. Não descobrindo de quem se
tratava - é que muitas vezes encontrava-se no ônibus quando em uma calçada
qualquer o potencial entrevistado transfigurava-se em sombra até finalmente
desaparecer -, carregava para sempre aquela dúvida. Como não gostava de
inventar histórias, tais personagens permaneciam em sua memória enquanto imagem
contraditória: uma existência impossibilitada de existir.
Aos dez anos - primeiro
fracasso - permitiu que escapulisse um senhor de barba branca, cabeleira
branca, passos arrastados, um olhar que mais parecia nadinha de nada enxergar.
À janela do quarto que desembocava na rua, não fora capaz de abordá-lo. Nenhuma
das três vezes. Estático, apenas observava e se questionava a respeito das histórias
armazenadas em cada fio grisalho. Chegou a pensar que estivesse diante do Papai
Noel. Absurdo. Sentira-se mesmo um zé mané. Que morador do Polo Norte seria
capaz de adaptar-se ao calor de Teresina? Passar rapidinho para distribuir
presentes, até que vai, mais do que isso, coisa de gente abestada.
Felipe era mesmo um
colecionador de pessoas tristes. Nunca se sentira atraído por um sorriso. Cabeças
arribadas, peitos estufados e posturas resolutas soavam sempre falsas, senão
vulgares. Descobrira, ainda na adolescência, o quão corajosos são os medíocres
quando saem de casa. E, faceiros, desfilam de esquina a esquina, de quarteirão
em quarteirão. Por isso os admirava e perseguia. Homens e mulheres.
Constrangidos para constranger. Sem eles, como seria possível rabiscar a
labiríntica face da existência?
domingo, 18 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
terça-feira, 6 de março de 2018
sexta-feira, 2 de março de 2018
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