Infância

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Romaria

 



A cada instante 

Distante dos próprios sonhos

Sigo sonolento 

(Macilento peregrino

De terras insanas)

Santas empoleiradas empoeiradas 

Nos desertos altares da perdição. 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Disforia





Cotidiariamente

Irremediavelmente

Gemidos lamentam

O enclausuramento imposto

Posto que a rotina insuportável

Alimenta o contraditório apego

À insuportável rotina de outrora.





segunda-feira, 23 de maio de 2016

Feito em pedaços



Estive sempre disposto a ensinar. Disposto a educar. Por ora, encontro-me desencantado. Não posso educar quem não está a fim de. A couraça em meu coração há alguns meses é arma, mas principalmente escudo. Impossível não tremer, taquicardia, diante da realidade que se avoluma e se aproxima cada vez mais de minha alma: vivemos o reinado da arrogância e da hipocrisia.

domingo, 5 de maio de 2013

O Hóspede



Minha alma,
Feito este quarto de hotel,
É a perfeita caricatura do abandono.

Impossível perder-se ainda mais.

Inevitável não se afogar nas tépidas águas do Caldeirão.

E se desejar partir,
Retornar que seja,
For desejar morrer e silenciar e sumir?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Efêmero





A Taís Aragão
(In Memoriam)

Estranho
Tal qual folha de estanho
No castanho
E delicioso chocolate
Colar-te-ei
Em minha alma questionadora de minha alma
Enquanto aqui, ali, acolá
A colar pedacinhos de essência
Da existência que já não há

Ave agoirenta
Sedenta de sede cuja água é incapaz de aplacar
Cá entre nós os nós de marinheiros guerreiros
Meninos matreiros sem eira nem beira
Queimando fagueiros
Fogueiras obscenas da inquisição

Em que seção (E que sessão!)
Daquele pedacinho de vida
Arquitetou-se destruição?