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terça-feira, 2 de maio de 2023

Desabafo metalinguístico




Não suporto qualquer estação

De Trem, Vida ou Morte


Justamente por estar são


Temo o Inverno

O Céu

O Inferno


E cada Palavra

Lavra de mim. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Polissemia



O poeta acrescenta à fluidez do tempo o deslizar fastidioso dos versos. Cada estrofe, terreno indigesto, aprisiona infinitas ideias em finitos desabafos egoístas.Sempre os mesmos verbos. Os mesmos versos. O poeta repetido. Reconstruído. Resignificando-se na enfadonha recombinação das palavras. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ignorantim



Não sei bem o que sou. Nem o que pretendo ser. Crescer. Padecer. Mais parecer esboço do esboço. Tamanho esforço e ainda não ter. Aparência. Essência. Aquela dormência na alma. Calma, Jeosá. Adormeço. Esqueço. Ofereço (me) a (o) sacrifício. Malefício. Vício necessário. Prazer ao contrário. Espelho inverso refletindo o reflexo do que jamais alcançarei. Ser. Crescer. Padecer.

De volta à escrivaninha. Os objetos de sempre, sempre observando. Curiosos. Espreitam o novo texto. O silêncio de Jeosá. Mãos macias confeccionando uma nova (?) combinação de palavras. O desabafo de todas as noites. Ora fragmento. Ora ideia. Ora ideia incapaz de materializar-se enquanto expressão. Dimensão. Tempo. Espaço. O fracasso do fracasso não seria libertação?

Pois não. Divagação. Quando o caminho estreito estreita e mesmo assim seguimos em frente. Não há passagem. Mesmo assim o poeta caminha pelo terreno rumo ao abismo de não se ter mais para onde ir. Refletir. Concluir. Permitir-se. Perder-se. Ofender-se. Ninguém compreende por que um homem sentado diante de um computador encara o teclado e digita e encara o teclado e digita letra após letra. Compreenderiam se as letras, metáforas de lágrimas borrassem as minhas mãos?

Sigo escrevendo. Antevendo frustração. Resignado diante da impossibilidade de exprimir o que brada dentro de mim. Ignorantim. Arlequim cínico. Personagem inadequado para a representação de uma tragédia. Nem Édipo. Nem Hamlet. Apenas Jeosá. O clown. O grotesco. Existindo. Exibindo. Ordinária representação.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sem rumo (ao) certo



Dissertar a respeito de. Argumentar. Contra-argumentar. O quê? Por quê? Afinal o vazio não repousará enquanto silêncio? Há sempre o dito. O não dito. O bendito. Maldito escritor. Deslizando a pena-teclado sobre o papel-monitor. Trabalho limpinho. Apurado. Asseado. Tratando de. Quê?

Assunta-se o de sempre todos os dias. Ladainha. Lengalenga. Suposição. Contradição. Aforismos que se perdem na escuridão imensa. Imensidão. Ali um conceito. Aqui um desabafo. Bem acolá uma sugestão. Indigestão. Precisão de. Sossego.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ataúde


O espelho reflete o reflexo do reflexo do poeta
O poeta não enxerga a si mesmo
O que se imagina ser o poeta é apenas sombra

Distorcendo as paredes alvas que amparam o altar
Umidade escorrendo - entrededos – pelos corredores vazios
Sinos de angústia anunciando a derradeira procissão.