Infância

Infância
Casa na rua Dr. Vieira da Cunha, em Parnaíba. (INFÂNCIA)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Ulisses



Resumo referente ao artigo Os elementos auto-representativos na novela Ulisses entre o amor e a morte, de O. G. Rego de Carvalho, que faz parte do livro Geografias Literárias: confrontos: o local e o nacional, organizado por Francisco Venceslau dos Santos, com a colaboração de Raimunda Celestina Mendes da Silva.


            O conceito de narração para uma obra fictícia extrapola a simples exposição, afinal envolve momentos interdependentes que são o começo, o meio e o fim, organizados pelo narrador, primeiro protagonista da comunicação literária. Na novela Ulisses entre o amor e a morte, de O. G. Rego de Carvalho, o discurso, em primeira pessoa com apoio na terceira do singular, é assumido pelo narrador de forma explícita. O ponto de vista é de um “eu” narrador homoautodiegético de nível intradiegético de segundo grau, misturando sensações presentes com um passado resgatado através de lembranças bem vívidas. Ulisses, o protagonista, é herói e narrador ao mesmo tempo, enquanto as cidades de Oeiras e Teresina funcionam como ponto de identificação tanto do espaço discursivo quanto do tema narrativo. A primeira parte da narrativa (infância) revela, através do discurso, o cotidiano do protagonista em Oeiras, enquanto a segunda parte (adolescência), apresenta acontecimentos não-habituais de uma vida nova em Teresina. O que se constata, independente do espaço geográfico, é que a descrição dos acontecimentos é uma projeção exterior do estado psicológico do narrador protagonista. Vale ressaltar que O. G. Rego de Carvalho utiliza-se de um narrador puro, consciente de que entre o mundo da realidade histórica e do imaginário há apenas analogias. Considerando o campo discursivo, destaca-se em Ulisses entre o amor e a morte, a linguagem, em padrão culto, e a estrutura bem curta dos capítulos. Pode-se afirmar que o sujeito do discurso produziu um texto que permite a mímese da representação, ao ativar os dois níveis do princípio mimético: recepção e produção. Ocorre, por exemplo, uma relação de verossimilhança com a realidade exterior do texto, quando Oeiras e Teresina operam como unidades pensáveis em uma realidade referencial, quando também o narrador constrói plasticamente uma cena através da representação verbal. O habitat natural do narrador assemelha-se à realidade exterior do texto, o que permite que o receptor identifique o modelo que está sendo utilizado. Se a realidade numa obra literária é a vida que o autor consegue captar e colocar à disposição do leitor, O. G. Rego de Carvalho assim a realiza por intermédio do sentimento de seus personagens, à medida que recria a geografia oeirense e teresinense, utilizando-se de sua real experiência de vida. Na novela ogerreguiana protagonista e leitor completam-se, o primeiro observando a realidade concreta, o segundo recebendo percepções dessa mesma realidade. Assim, em Ulisses entre o amor e a morte, o autor, ao privilegiar aspectos sociais e individuais, conduz, inevitavelmente, o leitor a uma reflexão a respeito dos assuntos abordados.

VIANA, Márcia Edilene Mauriz. Os elementos auto-representativos na novela Ulisses entre o amor e a morte, de O. G. Rego de Carvalho. In: SANTOS, Francisco Venceslau dos (Org.). Geografias Literárias: confrontos: o local e o nacional. Rio de Janeiro: Editora Caetés, 2003. p. 33-55.

Texto apresentado à disciplina Metodologia da Pesquisa em Literatura, ministrada pela Prof.ª Dr.ª Raimunda Celestina Mendes da Silva, Mestrado Acadêmico em Letras, UESPI.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

1,99 – Um supermercado que vende palavras



Logo no início do filme de Marcelo Masagão, deparamo-nos com uma personagem empurrando um carrinho de supermercado. É possível perceber também produtos, identificados por palavras ou números, dispostos em prateleiras. Ora, o carrinho, os produtos e as prateleiras combinados - ícones organizados por similaridade - remetem-nos imediatamente ao título da produção cinematográfica: 1,99 – um supermercado que vende palavras.

Há uma nítida transposição de conceitos e caracteres denotativos e conotativos - tão familiares à linguística - para o cinema, enquanto sistema de signos. Mas também há, por parte do roteirista e do diretor, a consciência da importante ligação entre as linguagens verbal e não verbal, e uma nítida valorização do representante, quando instigam o público, no processo de compreensão da obra, a romper com a dualidade significante/significado.

Aquele supermercado não é qualquer supermercado. Ele vende palavras. E não são as palavras símbolos autênticos? Por isso mesmo, nos primeiros minutos do filme, o público, antes de acomodar-se diante da obra, passeará pelo fenômeno das categorias peirceanas, sejam elas: primeiridade, secundidade e terceiridade, compreendendo assim que a construção da interpretação, longe de ser arbitrária, é racional e dialética.

O leitor incapaz de identificar imagem e diagrama, subclasses peirceanas do ícone, no filme de Masagão, não estabelecendo assim uma relação entre significante e significado e seus respectivos desdobramentos conotativos, dificilmente compreenderá quem são – ou o que representam – aquelas pessoas cercadas de pneus velhos em um depósito carente de palavras, para citar apenas um exemplo.

Assista ao filme:

https://www.youtube.com/watch?v=vSmuy5ZHBlU&list=PL62B784873F936B8F

Texto apresentado à disciplina Semiótica da Cultura, ministrada pelo Prof.º Dr.º Feliciano José B. Filho, Mestrado Acadêmico em Letras, UESPI.


domingo, 7 de maio de 2017

A Terceira Margem do Rio



O título do conto de Guimarães Rosa já provoca certo estranhamento. O que seria essa fantástica terceira margem? Considerando-se signo a substituição ou representação de uma coisa por outra, em que consistirá aquela metáfora? Será o pai, homem quieto, levando ao extremo o isolamento? Ou o próprio rio naquele pedaço de substância que não chega a tocar as margens direita ou esquerda? O que substitui o quê?

Para melhor organizar a breve análise que em momento algum pretenderá alcançar a irrelevante intenção do autor, valho-me da seguinte afirmativa de Paul Válery: “Não há verdadeiro sentido de um texto”, para logo em seguida, dessa vez citando Todorov, “O autor entra com as palavras e o leitor com o sentido”, ratificar a ideia de que a infinitude de significados de um texto não resultará, sobremaneira, em interpretações medíocres.

Os signos como passam a ser trabalhados pelo autor, numa combinação inédita, lançam um novo signo: pai e rio tornam-se uma outra coisa, provocando assim uma necessidade de estudo e compreensão daquela nova verdade, até - parafraseando Jung - tornar-se familiar demais, perdendo assim todo o mistério. Quando, finalmente deixaremos Guimarães Rosa em paz, um homem dentro de uma canoa em um rio será apenas um homem dentro de uma canoa em um rio.


Texto apresentado à disciplina Semiótica da Cultura, ministrada pelo Prof.º Dr.º Feliciano José B. Filho, Mestrado Acadêmico em Letras, UESPI. 

           


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Desabafos desescritos após uma desleitura de Mia Couto






Primeiramente

Deslinguagem é o descarrego de um coração no revólver da gente.



Segundamente


Há, acertadamente, em algum lugar nenhum, o leitor das estórias que não escreverei.



Terceiramente


Fica o desdito pelo não dito.




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

sábado, 3 de dezembro de 2016

Cidade Verde



O asfalto freisserafínico reclama-reclama dos raios solarentos, pisa-pisa automobilístico, corre-corre humaneiro (suado-suado) de uma cidade quase-quase esquecida daquela verdidão-vastidão, bem(?) dita antonomásia de seu nome.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Feito em pedaços



Estive sempre disposto a ensinar. Disposto a educar. Por ora, encontro-me desencantado. Não posso educar quem não está a fim de. A couraça em meu coração há alguns meses é arma, mas principalmente escudo. Impossível não tremer, taquicardia, diante da realidade que se avoluma e se aproxima cada vez mais de minha alma: vivemos o reinado da arrogância e da hipocrisia.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Crônica do Primavera



Cebola chegou “tocando terror”. Aos 56 anos mais parecia o Sméagol, de O Senhor dos Anéis (os fãs de Tolkien ficariam impressionados com a semelhança). A magreza excessiva camuflava a força sobrenatural concentrada em seus braços. Olhava para lugar nenhum. Gritava onomatopeias. E para deixar claro que ainda controlava a própria existência arrancava vez ou outra a sonda nasogástrica. Também era recordista em cuspe a distância e especialista em desatar os nós que aprisionavam o corpo inquieto.

Cebola – não fomos capazes de alcançar o seu verdadeiro nome – morou os últimos três anos em um abrigo para mendigos. O funcionário que o acompanhava descrevia-o, achando tudo muito engraçado, como uma pessoa agressiva e propensa a certos abusos de ordem sexual. O rapaz adorava quando Cebola ameaçava-o, estendendo a mão direita, como se empunhasse um revólver. A certeza de que na cama 3 havia um pistoleiro tarado ensandecido deixou-nos bastante preocupados. Apenas papai dormiu naquela noite. Edilson – o paciente da cama 1 – e eu jogamos Uno até as cinco da manhã.

Cebola, cada vez mais traquinas, estabeleceu o caos na enfermaria 2. Não se calava sequer um instante. Há uma semana acompanhando meu pai, não tivemos manhã mais agitada. Papai, sempre afeito à tranquilidade, apenas resmungava, enquanto Edilson e eu colocávamos em prática o plano cruel elaborado durante a madrugada: despejaríamos o coitado do Cebola.

Graças à complacência da enfermeira de plantão e a uma vaga que surgiu na enfermaria 4, livramo-nos do Cebola. Triste sina a sina desse homem, murmurou meu pai. Edilson, reprimindo o riso e a dor abdominal, acrescentou: O cara conseguiu ser expulso de uma cama de hospital. Eu, antecipando faíscas e estrondos, somente pensava em colheitas e plantações.

            

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

De como meu pai reencontrou a minha mãe




Meu pai esquecera-se de muitas coisas nos últimos dias. Esquecera-se ou não dava mais um tiquinho de importância sequer. De três assuntos lembrava-se bem: fazer a barba, jogar na loteria e o seu nome completo. Sempre que alguém lhe perguntava a alcunha, feito aquela criança obediente e orgulhosa de ser o orgulho da família, ele respondia: Edimar Pacheco da Silva. Nas duas semanas em que esteve internado no hospital da Primavera, apresentava-se como Edimar Pacheco da Silva, o seu candidato. Por algum motivo - apenas suponho compreender - interessara-se pela política desde que dera entrada naquela enfermaria.


Já no apartamento, vivia a perguntar até quando ficaria hospitalizado. O colchão de ar, os medicamentos, os curativos, as fraldas, as chuveiradas na cadeira de banho e a alimentação balanceada correspondiam a uma rotina que distorcia a sua percepção do ambiente em que se encontrava. A mente engabelava tempo e espaço. Lagoa dos Porcos, Parnaíba e Teresina eram o mesmo povoado. Amigos e parentes, todos vizinhos. Em algumas tardes, após visitar os irmãos e o sobrinho Luís José (Lagoa do Porcos), passava pela casa do meu padrinho (Parnaíba) e somente descansava – minutos depois - quando deitava-se em sua cama, após o caldinho de feijão (Teresina). Por mais que variássemos os ingredientes, papai somente devorava a sopa se concordássemos que era mesmo caldo de feijão.

O Parkinson enrijecera-lhe os músculos. Também lhe apresentou à depressão e desencadeou uma série de alucinações. O emagrecimento e os tremores na cabeça, nos braços e nas pernas agravavam-se a cada dia. O falecimento de mamãe – casamento de 42 anos -, no dia 5 de janeiro de 2014, pode ser encarado como o último golpe tolerado pelo meu pai. Tolerou, mas não suportou. Um ano e sete meses depois, no aniversário de Parnaíba, às onze horas e cinquenta minutos, fora declarado morto pelo médico do SAMU que o assistiu.

Seu Edimar traspassou como sempre viveu. Tranquilo. Discreto. Sem nenhum tumulto. Não respondeu quando lhe pedi a benção. Apenas olhou para mim enquanto segurava com a mão direita a minha mão direita. Não conseguiu apertá-la como sempre fazia. Os dedos levezinhos, levezinhos. Percebi que a respiração cessara quando um vento moleque, impregnado de vida, invadiu o quarto e carregou a alma de papai. Lá fora os moleques empinavam pipas. Eram muitas as pipas. Mesmo assim, foi facilzinho distinguir, naquela confusão de cores, o sorriso de meus pais, no azulzinho do céu.



Teresina, 17 de agosto de 2015, 21h10

domingo, 19 de abril de 2015

DOR QUE DESATINA SEM DOER



Naquela noite a poesia não veio. Camões sentou-se na calçada fria do cemitério em chamas. Observou, através do portão enferrujado, os defuntos correndo entre as covas, brincando de vida. Angustiado, afinal perdera o bem mais precioso em um sonho maluco, prometeu a si mesmo não mais se apaixonar. Amaldiçoou o coração e desejou jamais ter conhecido a língua portuguesa. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Travessia

Teresina, 21 de novembro de 2014.



Muitas travessias não passam de buscas por algo que se já alcançou. O ser humano feliz, por exemplo, é capaz de se envolver nas mais loucas aventuras porque, não se reconhecendo feliz, precisa, a qualquer custo, desvendar, para depois desfrutar, os mistérios do prazer.

Fernando Pessoa certa vez desabafou: “Triste de quem é feliz”. Permitam-me (Quanta ousadia!) parodiar o poeta português: Triste de quem não sabe ser feliz. Isso mesmo. De que adianta deparar-se com um transbordamento de felicidade, se o que enxergaremos será apenas uma gigantesca onda, destruição?

Acreditem, meus psicopatinhas, aquele maravilhoso jardim do vizinho não é tão maravilhoso assim. Talvez nem seja bonito se comparado a outros jardins. E daí? O que importa mesmo é como percebemos os seres e as coisas, como nos percebemos enquanto jardim. A frustração nada mais é do que se apegar aos fracassos, não compreendendo que esses mesmos fracassos jamais superarão as muitas vitórias conquistadas.

Vocês são vitoriosos, meus meninos. Vocês são vitoriosas, minhas meninas. Todos vocês são felizes. Somos todos felizes. Estamos ao lado das pessoas que amamos. Vestimo-nos de branco para celebrar. Fotografamos incontáveis abraços e sorrisos. Por que então exaltar a despedida? Exaltemos a amizade. Exaltemos os momentos que passamos juntos. Exaltemos a vida. Somente assim seremos dignos das surpresas dispostas ao longo desse novo caminho ladrilhado com pedrinhas de todas as cores.
           

           
            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Encantamento




Ao professor Thiago Rodrigo

            Maria Helena Fontinele da Silva faleceu em janeiro. Cinco de janeiro. Dois dias após o meu aniversário. Desde então, sonhos recorrentes têm provocado em mim uma sensação de alívio em relação à imensa saudade que sinto. Saudade de filho único. Saudade de quem perdeu aquela que personificava o mais puro amor.
A imagem de minha mãe, deitadinha no ataúde, mãos comportadinhas, expressão faceira como a se gabar das obrigações cumpridas, estará sempre por aqui. Assim como os abraços e beijos e palavras ternas. Também a exagerada confiança em um futuro brilhante para o filho que jamais foi capaz de brilhar. Certamente, o cérebro (maravilhoso córtex frontal) não me decepcionará quando anos mais tarde eu precisar resgatar, apurados todos os sentidos, tais impressões eternizadas na pele, na alma.
Hoje gostaria de compartilhar os sonhos a que me referi no primeiro parágrafo. Sonhos mesmo. Bons sonhos. Nada de confundi-los com pesadelos. Porque neles mamãe está viva. Bem viva. Porque recebeu (recebemos) uma segunda chance. Deus, ressuscitando-a, proporciona a todos nós um recomeço.
E quando acordo não há tristeza. Há a presença de minha mãe. Sim. Estamos juntos novamente. Um milagre aconteceu. Não há angústia. Há a certeza de que ela não morreu. E não morreu mesmo. Depois de conversarmos bastante, de nos renovarmos enquanto mãe e filho, entendemos o valor da verdadeira imortalidade, metáfora do Amor que sentiremos sempre um pelo outro.

sábado, 26 de julho de 2014

Tragicômico



A Machado de Assis

Percebo agora

O encanto do velho bruxo


Grotesco tal qual Molière

(vem do dramaturgo francês também a ironia)

E de Racine o pessimismo
(a parcimônia)

O ser humano destituído de virtudes
(intolerante – intolerável).

 

 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Nono Círculo





Os olhos de Joane
De um verde caramelo
Perscrutam assustadinhos
As faces castanhas
Os cílios enormes
A inconstância medíocre
Do pequenino poeta
De sobrancelhas espessas
Cujo nariz colossal
Tal qual cimitarra afiada
Premedita a injúria fatal.







quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ternura

           
            Em Parnaíba éramos muito felizes. Meu pai. Minha mãe. Livramento. E eu. Morávamos na Doutor Vieira da cunha. Depois na Teresina. Mas sempre no bairro Nova Parnaíba. Lembro-me do primeiro carro. Um Corcel amarelo. A foto em que estou saindo do automóvel - mamãe ao meu lado sorri com ternura - vestindo uma camisa onde se percebe estampado o desenho do Bidu atiça-me a memória. Não consigo esquecer aquela camisa. Volta e meia ela está ali em minha cabeça disputando um cantinho entre pensamentos outros bem mais recentes. Talvez porque ao apertá-la na altura do peito se pudesse ouvir em alto e bom som o latido do cachorrinho azul.

            Há em mim, de criança ainda, um aperto que não é dor. Uma saudade gostosa de quando andar em uma cadeirinha sobre o guidão da bicicleta de papai era um passeio tão bom. Saíamos sempre à tardinha. Papai pedalava enquanto eu fazendo as vezes de co-piloto procurava evitar as poças de lama. Mamãe impacientava-se com a nossa demora. Deve-se respeitar o horário das refeições - dizia. Papai pilheriava sempre: Vamos comer então!

            Os dois cercavam-me de tamanho carinho que perguntas do tipo: DE QUEM VOCÊ MAIS GOSTA, MENINO?, soavam indelicadas e vulgares.