
O que dizer do Ensino Religioso em pleno século XXI? Como me posicionar a respeito se a respeito do assunto já há tantos posicionamentos e desdobramentos e confusões? Que linha de pensamento desenvolver se nas escolas, ainda em sua grande maioria católicas, encontramos as mais variadas crenças e religiões?
O que precisa ser esclarecido: O professor não está ali para catequizar. Não cabe a ele dogmatizar. É papel do professor de Ensino Religioso, independente de suas convicções, questionar, problematizar. E nunca fazer da aula um discurso ideológico em prol de uma religião ou outra.
E não é fácil para o professor. Muito menos para o aluno. Vestimos tamanha couraça costurada de verdades, que nos surpreendemos, freqüentemente, promovendo empolgadas palestras de conscientização, para não dizer imposição de nossas próprias fantasias.
Recentemente, ao conversar com o professor Marcelo, percebi, o quão difícil e maravilhoso é o seu trabalho. Primeiro: nenhum aluno ficará reprovado em Ensino Religioso. Ou seja, vai ter criatividade assim no “inverno” para despertar interesse na criança e no adolescente, já que não paira sobre os mesmos o fantasma das notas baixas. Segundo: Os temas debatidos são tão atuais e polêmicos, a descoberta da sexualidade, para citar apenas um exemplo, que muitas vezes a própria família surge enquanto obstáculo, no sentido de não querer permitir, são as palavras de alguns pais, “que certas conversas cheguem aos ouvidos dos filhos”.
Como se o mundo não estivesse aí para ensinar... como se não fosse papel da escola e dos educadores e da família orientar... como se precisássemos, mais uma vez, fechar os olhos, quando se faz necessário enfrentar.