
Sou professor de literatura há 12 anos. Convivo diariamente com centenas de adolescentes. Posso afirmar, sem nenhuma licença poética, que nos entendemos bem. Principalmente porque, na condição de adulto - por motivos quaisquer -, não esqueci que um dia já fui adolescente também.
Geralmente é assim: adultos não suportam a adolescência que, por sua vez, não suporta a infância. Conclusão: carrega-se a falsa impressão de concepção instantânea. Explicação: como se, ao abrir os olhos – Maravilhoso parto novo! -, o homem de vinte e cinco anos surgisse, aos vinte e cinco anos, sem tirar nem pôr.
Considerar o que somos, repudiando o que já fomos, resulta em estúpida postura arrogante e imediatista. Vislumbramos de tal forma o momento presente que não nos preparamos para o futuro e muito menos respeitamos as maravilhosas experiências adquiridas.
A adolescência aniquila qualquer possibilidade de sermos o que um dia os pais sonharam para nós – mesmo bem antes da concepção. O adulto é o reflexo desvirtuado da imagem perfeita – Egocêntrica! - do adolescente de outrora. É que em algum momento, por um descuido fatal, o espelho trincou.
Que mente sã ainda relacionará o ser adulto à estabilidade social? Quando verdadeiramente estáveis? Em qualquer etapa da vida esforçamo-nos para sobreviver. E sobreviver significa adequar-se. A ingenuidade, a rebeldia e a maturidade são apenas instrumentos de adaptação. Apenas nos comportamos, inconscientemente, como a sociedade espera que nos comportemos. Por isso mesmo adaptação não é – E jamais será! - sinônimo de estabilização.
Como eu poderia então, adulto e professor do ensino médio, rotular meninos e meninas, se habitam em mim todos aqueles que um dia já fui?
Como eu poderia então, adolescente e jogador de basquete, rotular meninos e meninas, se o que sou, ao escrever este artigo, será também um pouquinho de mim no instante seguinte?
Como eu poderia então, criança e super-herói, rotular meninos e meninas, se todos os dias as lembranças de erros e acertos surgem diante de mim, aos berros, fura-bolo em riste: você é humano!