A cada instante
Distante dos próprios sonhos
Sigo sonolento
(Macilento peregrino
De terras insanas)
Santas empoleiradas empoeiradas
Nos desertos altares da perdição.
A cada instante
Distante dos próprios sonhos
Sigo sonolento
(Macilento peregrino
De terras insanas)
Santas empoleiradas empoeiradas
Nos desertos altares da perdição.
Há - no desgraçado - miséria escura
Afastando-o dos seres divinos.
Haveria maldição, se por ventura
Não fosse - ele próprio - responsável
Pelo desequilíbrio que o sepultou no abismo.
Há - na criatura desprezível - toras de desprazer
Alimentando as fogueiras da inquisição.
Assim eu quereria a minha última postagem: que fosse eterna dizendo as coisas mais absurdas e menos divinais; que fosse gélida como uma lágrima sem soluços; que tivesse a certeza das flores paralisadas no estrume; a impureza da água imprópria para o consumo; o perdão do suicida que se mata sem a menor intenção.
Muitas mortes à espreita de todos nós.
Teria a desencantada,
feito aranha carregada de ovos,
parido tanto assim em 2021?
Deus
Em Dédalo
Eis-me agora
Sobrecarregado de apêndices
(E anotações esdrúxulas)
Em cada uma das milhares de leituras alheias.
Não sou capaz de compreender o que penso, sinto e anseio agora.
Mesmo essas palavras sobre pensamentos, sentimentos e anseios
Não significam nada para mim.
Agora.
Não resisti. Comprei mesmo! Novinho, novinho. Era ainda adolescente quando li pela primeira vez a solidão das solidões. Bendita biblioteca do SESC! Naquela época, eu ainda não sabia: Parnaíba, minha Macondo.